Quem é Lucinha, deputada apontada pela PF como madrinha de milícia no Rio

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Deputada Estadual do Rio pelo quarto mandato, presidente da CPI dos trens e cria da Zona Oeste. É assim que Lucia Helena Pinto de Barros, conhecida como Lucinha (PSD), de 63 anos, se denomina nas redes sociais.

Com quase 10 mil seguidores no Instagram, a parlamentar compartilha nas redes sociais seus trabalhos políticos. No domingo (17), dia que antecedeu à operação da Polícia Federal (PF), que acusa a deputada de ter relação com a milícia do Rio, Lucinha compartilhou um vídeo da “caravana de Natal”.

“Fazer a alegria das crianças da nossa região é um prazer, junto da minha equipe e do meu filho”. O filho que a deputada menciona é o vereador da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Tadeu Amorim de Barros Junior, conhecido como Junior da Lucinha, Secretário do Envelhecimento Saudável.

Trajetória política

Segundo a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Lucinha começou sua vida pública como ativista do Movimento Popular Organizado na década de 80. Em 1981, foi uma das fundadoras o Partido Democrático Trabalhista (PDT-RJ).

Se candidatou pela primeira vez em 1992, à Câmara de Vereadores do Rio. Só conseguiu se eleger na outra eleição, em 1996, e se reelegeu em 2000. Nas eleições de 2008, ela foi a vereadora mais votada da cidade do Rio de Janeiro, com 68.799 votos.

Em 2011, Lucinha tomou posse como Deputada Estadual pela primeira vez, sendo a candidata mais votada do PSDB para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

Nas eleições de 2022, Lucinha foi 26ª deputada mais votada dos 70 parlamentares eleitos para Alerj. A parlamentar obteve 60.387 votos.

Sequestro

No dia primeiro de outubro de 2023, a deputada estadual Lucinha foi sequestrada em um sítio na zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. A parlamentar foi abordada por homens armados que estavam em fuga e a levaram em um carro da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) para a comunidade Vila Kennedy.

Três homens armados fugiam da comunidade Piegas e entraram no sítio onde a deputada e sua equipe estavam desmontando a organização de uma festa de aniversário de 63 anos da parlamentar, que foi cancelada devido à chuva.

Durante a abordagem, os criminosos identificaram um dos seguranças da parlamentar como policial militar, chegando a ameaçá-lo de morte, segundo as investigações.

A deputada teria conversado com os bandidos, que exigiram um carro para deixarem o local. Lucinha foi colocada dentro do veículo e acompanhou os bandidos até a Vila Kennedy, onde foi deixada.

O caso

A Polícia Federal e o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro (MPRJ) atuam na manhã desta segunda-feira (18) visando apurar a participação e a articulação política desempenhada pela deputada estadual Lucinha em benefício de milícia que atua na zona oeste do Rio de Janeiro.

Fontes da PF ouvidas pela CNN dizem que a deputada é o “braço político da milícia do Zinho”, uma das mais poderosas e violentas do Rio e com forte atuação na região populosa de Campo Grande e Santa Cruz, na Zona Oeste da capital fluminense. Zinho está foragido acusado de vários crimes violentos.

Por conta desse laço, segundo a força-tarefa, Lucinha é chamada de “madrinha” pelos paramilitares de Zinho, pelas facilitações e auxílios ao grupo. A assessora da deputada também é apontada como integrante do grupo.

Segundo investigadores, há forte articulação política junto aos órgãos públicos para atender os interesses do grupo miliciano.

A Justiça do Rio determinou que a parlamentar seja afastada do cargo e seja proibida de manter contato com determinados agentes públicos. Ela também fica proibida de visitar a Alerj.

A CNN tenta contato com a parlamentar.

(Com informações de Isabelle Saleme e Elijonas Maia)



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