Everglades: conheça o paraíso selvagem a uma hora de Miami – 07/01/2024 – Turismo

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O maior parque da Flórida não tem Mickey nem princesa, e sim crocodilos, peixes-boi e um pássaro cor-de-rosa que parece uma miragem. E no lugar de montanhas-russas, as fortes emoções ficam para uma caminhada pelos pântanos, com água batendo na cintura.

Bem-vindos ao Parque Nacional Everglades, um paraíso selvagem a uma hora de carro de Miami. Apelidada de “rio de relva”, a região reúne ecossistemas de zonas úmidas subtropicais num constante e lento fluxo de água, muitas vezes invisível sob pradarias a perder de vista.

“Sem dúvida temos os personagens mais carismáticos da Flórida”, afirma o guarda-florestal Timothy Taylor, que trabalha em Everglades há 35 anos.

Taylor adora apontar para os turistas os peixes-bois e crocodilos que visitam a marina em Flamingo, uma comunidade na ponta mais ao sul dos Estados Unidos contíguos, onde fica um dos centros de visitantes do parque.

Nos últimos meses, Flamingo vive um renascimento após anos sofrendo com construções precárias prejudicadas por furacões. Primeiro foi o Guy Bradley Visitor Center, inaugurado em julho. Com uma charmosa arquitetura modernista cor-de-rosa, o novo prédio guarda exposições sobre a fauna, flora e os primeiros habitantes de Everglades. Há também uma lojinha.

É dali que saem os passeios gratuitos de observação de aves que Taylor e seus colegas lideram nas manhãs, com binóculos para emprestar. Everglades é um dos melhores lugares para essa atividade nos EUA, assim como pescaria e canoagem.

Em novembro, a reportagem avistou mais de 25 espécies de pássaros numa caminhada pela baía. Perdemos a conta de quantas águias-pescadoras vimos, incluindo aves em dois ninhos. E ainda observamos um colhereiro-americano em pleno voo, um espetáculo de pássaro com penas cor-de-rosa e um bico achatado em forma de colher.

Apesar do nome, não há mais flamingos em Flamingo. Mas os locais afirmam, sem tom de papo de pescador, que o furacão mais recente trouxe flamingos do México que agora habitam Snake Bight, uma baía onde só se chega de caiaque.

Outra novidade de Flamingo é um novo hotel, o único dentro do parque. O antigo, que funcionou no mesmo local por quase 40 anos, foi fechado e demolido após o furacão Wilma, em 2005. Para acordar dentro do parque, era então preciso se hospedar em ecotendas, barcos, acampar em barracas ou levar seu próprio trailer.

A reportagem foi convidada a se hospedar no Flamingo Lodge, inaugurado em novembro. Um novo restaurante, adjacente ao hotel, também acaba de ser inaugurado.

Todos os 24 apartamentos são virados para a baía, com um janelão no quarto e uma pequena varanda na sala frequentada por passarinhos curiosos (e muitos mosquitos no final da tarde, é essencial levar repelente). Tem também cozinha com geladeira, cooktop, lava-louças e micro-ondas, além de wi-fi, ventilador de teto e ar condicionado.

Construído com contêineres de transporte a quatro metros do chão, o hotel foi desenhado para enfrentar as tempestades típicas da região e o aumento do nível do mar. Para um parque de passeios naturais onde o sinal de celular é praticamente inexistente, o hotel surge como um luxo que deve atrair turistas atrás de conforto.

Para chegar a Flamingo, são duas horas de carro desde o aeroporto de Miami. A jornada serve também como destino: é uma das viagens de carro mais bonitas dos EUA, com manguezais e florestas de cipreste bem na beira da estrada. De manhã cedo ou no final do dia, a quantidade de pássaros sobrevoando também impressiona.

Entre as paradas ao longo do caminho, Royal Palm é uma das melhores, com uma trilha de 1 km numa passarela de madeira sobre um pântano de água doce. Jacarés se reproduzem aqui na estação seca (dezembro a abril), assim como anhingas, pássaros que podem ficar até um minuto debaixo d’água caçando peixes.

Uma imersão mais completa em Everglades acontece nas “caminhadas molhadas” (“wet walks”, US$ 40), organizadas a partir do Ernest F. Coe Visitor Center, bem na entrada do parque. Duas naturalistas levam pequenos grupos para conhecer por dentro uma floresta de ciprestes carecas encharcada, onde a água pode chegar até a cintura.

É preciso ter mais de 12 anos, altura acima de 1,37 metro e levar roupa adequada para participar, como calça comprida e tênis bem amarrado para não escapar do pé quando a água fica um pouco mais lamacenta. No geral, a água é quase cristalina e dá até para ver peixinhos e plantas aquáticas. Jacarés são raros, mas podem dar as caras à distância.

PARQUE MARÍTIMO

Outro parque nacional no sul da Flórida, quase vizinho de Everglades, é o Biscayne, mais popular para quem gosta de snorkeling e mergulho. Cerca de 95% do parque é água, com corais e barcos afundados para explorar e possíveis encontros com golfinhos e tartarugas.

Na terra firme, uma passarela leva o visitante por manguezais repletos de passarinhos. Com sorte, dá para ver iguanas tomando sol nas árvores e peixes-boi nadando na área.

Na “volta para a civilização”, uma parada estratégica é o mercado Robert Is Here Fruit Stand, para provar frutas frescas e milk-shakes de limão, uma das especialidades da região. Para quem ainda tiver sede de natureza, o jardim botânico tropical Fairchild, com um borboletário imperdível, fica a 20 minutos do centro de Miami.

Voluntários ficam a postos para tirar dúvidas e liberam novas borboletas recém-saídas do casulo na mão dos visitantes. O jardim também tem diversos lagos que certamente vão lembrar a passagem por Everglades: há avisos de crocodilos por todos os cantos.



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