Blocos de Carnaval correm para fechar acordos de patrocínio | Empresas

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Os blocos de Carnaval atraem multidões e anunciantes, embora muitos deixem para assinar os contratos em cima da hora. Faltando um mês para o início da folia nas ruas, em 3 de fevereiro, grandes blocos ainda correm para fechar patrocínios e garantir suas apresentações em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro.

A burocracia para a liberação dos blocos gera uma tensão extra para organizadores e potenciais anunciantes.

O custo para colocar um bloco grande na rua varia de R$ 80 mil, no caso do Desliga da Justiça, que deve atrair 20 mil pessoas ao centro do Rio, a mais de R$ 5 milhões para o veterano Galo da Madrugada, que desfila com 30 trios elétricos e reúne mais de 2,5 milhões de pessoas no centro do Recife.

“Bloco não tem capital de giro, então a gente conta com as parcerias”, diz Leandro Monteiro, presidente do Desliga, que reúne foliões fantasiados de super-heróis ou vilões desde 2009. A busca por patrocinadores começa em julho, mas os contratos assinados saem a partir da segunda metade de dezembro. “Entre novembro e dezembro preciso ter 50% de sinal de tudo o que vou contratar”, diz Monteiro, que desfila dia 27, contando com apoio da Ambev e o patrocínio da fabricante de copos térmicos Stanley pelo segundo ano consecutivo.

A marca de copos aposta na preservação da bebida gelada para se destacar na folia das ruas, onde está presente desde 2022. “Para 2024, estamos aumentando significativamente nossa verba de marketing dedicada aos blocos”, diz Melissa Brunetto de Campos, gerente de marketing da Stanley.

Janeiro também é um mês de correria em busca de patrocínio para o desfile do Ilú Obá de Min, fundado em 2004 na cidade de São Paulo. O custo do cortejo do bloco, que celebra a cultura afrobrasileira, é de R$ 100 mil, considerando uma equipe de 500 pessoas, com 350 na bateria, formada exclusivamente por mulheres. “Para 2024, temos 50% do valor do desfile”, informa Daiane Pettine, coordenadora executiva do Ilú Obá de Min. “Em janeiro, entramos em uma corrida para angariar o restante, mas seria muito bom termos mais tranquilidade”, afirma.

A busca por parceiros de longo prazo é a meta da instituição cultural sem fins lucrativos, que extrapola o Carnaval. O nome Ilú Obá de Min, do iorubá “mãos femininas que tocam o tambor para o Rei Xangô”, traduz um trabalho social de empoderamento feminino, disseminação da cultura afrobrasileira e combate ao racismo. “O Ilú é uma instituição que tem um bloco de Carnaval e um projeto de arte gratuita para as mulheres da cidade”, diz Pettine.

Seis meses antes do desfile, a instituição abre 400 vagas para oficinas gratuitas de percussão, dança, canto e perna de pau, dedicadas a mulheres. Entre as influências do Ilú, estão os tambores de candomblé, maracatu, coco, samba e baião. “Carnaval não é só sobre uma data, mas sobre projetos”, nota Pettine. “Temos um ecossistema bem estruturado, com pessoas do ramo da economia criativa e podemos ajudar as marcas de forma positiva”, diz a executiva.

Há quatro anos, a marca de calçados Converse é patrocinadora do Ilú, que também tem apoios pontuais do município para apresentações e oficinas culturais ao longo do ano. “Ainda estamos conversando com empresas para buscar marcas comprometidas com uma luta antirracista. É importante que as empresas se associem a uma ideia expandida do Carnaval, que é um dos maiores negócios do país”, ressalta a coordenadora executiva da instituição.

Mesmo para o Galo da Madrugada – que já entrou para o Guinness Book, o livro dos recordes, como o maior bloco de Carnaval do mundo -, a corrida pelo patrocínio começa cedo, em março. Um calendário de eventos foi a estratégia adotada para fechar contratos de patrocínio ao longo do ano. “Temos os eventos de São João, em junho, o Novembro Brega e a Corrida do Galo, no fim de janeiro”, diz Guilherme Menezes, diretor de marketing do bloco criado há 45 anos na capital pernambucana.

“Geramos 5 mil empregos diretos no Carnaval, incluindo 2.000 seguranças, 1.000 músicos e 150 pessoas nos 15 pontos de suporte para os trios, com eletricistas, tratores e combustível extra”, informa o diretor do bloco que tem patrocinadores como Ambev, Vivo (marca da Telefônica), Stellantis e Colgate-Palmolive, que traz uma ação inédita com a marca Sorriso. “Vamos promover um grande ‘Refrescaço’ para os foliões que estiverem curtindo o Galo da Madrugada”, diz Flávia Liberman, diretora de marketing da Colgate-Palmolive. Tubos de cremes dentais cenográficos vão jogar água nos foliões.

Menezes diz que ações sociais e de sustentabilidade, como a coleta e reciclagem de resíduos e a formação musical gratuita de crianças e jovens, ajudam a atrair patrocinadores ao Galo. Há três anos, o bloco também desfila em São Paulo, reunindo 500 mil foliões no Parque do Ibirapuera. E há plano para ir a Belo Horizonte, no futuro.

No Rio, o ritmo de fechamento de contratos está mais lento neste ano, diz João Marcelo Oliveira, um dos organizadores do bloco carioca Fogo e Paixão, que deve atrair 45 mil foliões ao centro da capital carioca, com um repertório de hits de artistas como Wando, Sidney Magal, Rosana e Reginaldo Rossi. “O Fogo e Paixão reúne um público prioritariamente feminino, com idade 35+, o que é bem interessante para muitas marcas”, diz. O bloco neste ano atraiu o interesse de marcas de cosméticos, utensílios e varejistas, mas o ritmo de assinaturas vai ser na base da emoção. “O desfile em São Paulo, ainda depende dos patrocínios”, diz Oliveira.

O Acadêmicos do Baixo Augusta comemora 15 anos neste Carnaval, com o tema “Resiste Amor em SP” e a previsão de reunir um milhão de pessoas no centro de São Paulo. “Atraímos um público muito diverso e, ao longo do ano, pensamos em ações e temas que tragam valores e reflexão para o Carnaval”, diz Alê Natacci, cofundador do bloco. Entre os patrocinadores do bloco estão iFood, Elo e Amstel, marca da Heineken.

O patrocínio da Prefeitura de São Paulo para o Carnaval de rua será definido nesta quinta-feira (4), com lance inicial de R$ 26,6 milhões. Em 2023, a Ambev venceu, com R$ 25,6 milhões.

Ao todo, São Paulo terá 654 desfiles oficiais promovidos por 590 blocos. O público total estimado é de 15 milhões de pessoas. Segundo a prefeitura, o impacto econômico do evento para a cidade superou R$ 3 bilhões em 2023.

No Rio, na tentativa de evitar os desfiles “piratas”, além da autorização da prefeitura o bloco deve pedir o aval do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar. “Tem muito patrocinador que fecha o contrato agora, mas só libera a verba quando estiver tudo regularizado”, diz Oliveira, do Fogo e Paixão.

A Prefeitura do Rio ainda não tem o número fechado de blocos para este ano pois os blocos ainda estão no período de liberação do ‘nada a opor’ dos órgãos estaduais (Corpo de Bombeiros e Polícia Militar). Em 2023, 415 blocos fizeram 456 desfiles na cidade. O patrocínio do Carnaval de rua 2024 junto à Prefeitura do Rio está fechado desde agosto, no valor de R$ 38 milhões por ano, até 2026. A Dream Factory, que venceu a licitação, diz que as negociações com as marcas ainda estão em andamento.



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